Educação alimentar na infância: Educar sem exagerar

Como criar nas crianças atitudes positivas frente aos alimentos e à alimentação? Como encorajar a aceitação da necessidade de uma alimentação saudável e diversificada? E como fazê-la desenvolver hábitos alimentares saudáveis?

A educação alimentar dá trabalho, mas alguns hábitos adotados desde cedo podem ser cúmplices nesse processo.

Muitas vezes, os responsáveis pelas crianças querem que elas comam exclusivamente determinados alimentos, por serem classificados como “saudáveis”. Não se deve esquecer que a educação alimentar parte do princípio que a infância é a fase em que se torna necessário o contato com todos os tipos de alimentos, para que ela não tenha dificuldade de se adaptar em diversos tipos de ocasiões. Impor limite para doces, pães brancos, arroz branco, salgadinhos é absolutamente importante, porém, lembre-se, estamos educando uma criança, que convive com outras crianças.

Lembre-se: Impor regras do tipo “não comer carne vermelha”, implica na ausência de uma série de vitaminas e nutrientes necessários para o desenvolvimento adequado da criança.

Segue abaixo 7 dicas para facilitar a introdução alimentar adequada para as crianças, para que os responsáveis continuem em suas casas o trabalho que está sendo desenvolvido na escola.

  1. Horário para refeições: Criar o hábito do café da manhã, almoço e jantar em família certamente irá propiciar um modelo de comportamento para os filhos. Ninguém vai obrigar o filho a tomar suco de laranja e ao mesmo tempo servir-se de um refrigerante.
  2. Contexto familiar, atitudes e estratégia dos pais: as crianças aprendem a respeito do alimento não somente por suas experiências, mas também observando os outros. A família fornece amplo campo de aprendizagem, no qual a alimentação se torna um dos principais focos de interação entre pais e filhos. Os pais e familiares devem cuidar para não criar um ambiente propício à alimentação excessiva ou um estilo de vida sedentário. Pais que comem demais, muito rápido ou ignoram os sinais de saciedade oferecem um pobre exemplo aos seus filhos.
  3. Coação e Punição: Estudos sugerem que os alimentos com baixa palatabilidade (como os vegetais) são oferecidos normalmente envolvendo coação e punição para a criança comer. Já os alimentos ricos em açúcar, gordura e sal são oferecidos em um contexto positivo (como recompensa ou em festas), aumentando a preferência por estes. Na medida em que as crianças são pressionadas a comer um determinado alimento que os pais acreditam ser bom para elas, diminui a sua preferência por aquele alimento rico em açúcar e gorduras.
  4. Sensação da fome e saciedade: Come, come, come… até quanto? Quem determina quanto? Meio prato ou um prato? A criança precisa desenvolver os sentidos de fome e saciedade. Por exemplo, quando a criança fala que não quer mais comer porque está satisfeita, e os pais dizem “termine o que está no prato”, fica claro para a criança que a sua sensação de saciedade não é relevante para a quantidade de comida que ela precisa consumir.
  5. Exposições repetidas aos alimentos de forma divertida e educativa: Não desanime com uma primeira reação negativa ao alimento. Ofereça o mesmo alimento em outra apresentação. Por exemplo: espinafre refogado ou omelete de espinafre ou torta de espinafre ou quiche de espinafre com ricota. Use sua criatividade.
  6. Mídia, propaganda e amizades: A tendência das preferências alimentares das crianças conduz ao consumo de alimentos com quantidade elevada de carboidrato, açúcar, gordura e sal, seguido de baixo consumo de vegetais e frutas. Essa tendência é originada na socialização alimentar da criança e, em grande parte, depende dos padrões da cultura alimentar do grupo social ao qual ela pertence.
  7. Autoridade, regras e limites: Nunca substitua uma refeição por mamadeiras ou alimentos fora do contexto, como bolos, biscoitos e chocolates. Esses alimentos, além de não fornecerem todos os nutrientes desejados, irão saciar a fome da criança e prejudicar seu apetite para a próxima refeição. Criança com fome come!

Oferecemos na Escola Higienópolis uma variedade completa de alimentos, como arroz branco, arroz integral, quinua, aveia, legumes, verduras variadas, massas, carne vermelha, frango, peixe, ovos, entre outros. Papais, mantenham essa variedade em suas casas, permita o contato com diversos tipos de alimentos e imponham limites para que as crianças cresçam de forma saudável e lembrem-se: O extremo não é positivo.