Chupeta

A chupeta ou seus precursores foram empregados desde que o homem começou a buscar alternativas para resolver os problemas do seu cotidiano. Foram utilizadas tanto para acalmar quanto para nutrir.

Muitas crianças se acalmam quando chupam a chupeta e chegam a usá-la bem além dos dois anos. Às vezes a chupeta também ajuda a criança a aliviar o estresse ou a se adaptar a situações novas e desafiadoras, como começar a ir à escola, por exemplo.

Entretanto, a sucção é muito importante para as crianças até dois anos de idade e em algumas delas essa necessidade é maior. O bebê suga não apenas para matar a fome, mas também para saciar sua necessidade de sugar.

O bebê amamentado exclusivamente até os seis meses de vida NORMALMENTE tem sua necessidade de sugar saciada e dificilmente vai aceitar uma chupeta ou sugar o dedo. Para crianças que não amamentam ou que já introduziram outros alimentos, o leite, a água ou o suco podem ser oferecidos em copos de bico com válvulas que necessitam do esforço do bebê para a retirada do líquido.

Os prejuízos causados pela sucção do dedo são normalmente maiores do que os causados pela sucção da chupeta. A chupeta pode ser jogada fora, esquecida em casa em algum passeio ou mesmo ser retirada pelos pais enquanto a criança dorme ou brinca. Já o dedo está sempre disponível, não tem jeito de ser retirado e por isso é mais fácil de se tornar um vício e mais difícil de ser retirado.

O uso de chupetas pode não só prejudicar a posição dos dentes, mas também de todas as estruturas musculares com que estes se relacionam, podendo haver desequilíbrios que repercutirão na fala, respiração, deglutição, mastigação e até na estética do sorriso da criança.

  • Frequência – o uso deverá ser mínimo, sendo indicado só em momentos de stress ou para adormecer, e não frente a qualquer choro do bebê. Sempre inspecione as causas do desconforto (fome, frio, fralda suja, dor, saudade da mamãe…) antes de partir para a chupeta.
  • Duração – deverá ser usada apenas até o bebê se acalmar ou adormecer. Se a chupeta permanecer interposta entre os lábios, a criança pode perder a “memória” muscular de permanecer com a boca fechada, o que é fundamental para que respire corretamente pelo nariz.
  • Idade – com o amadurecimento da criança, a sucção passa a ser substituída pela mastigação e sorção (tomar líquidos no copo), o que envolve outros músculos, e deverão ser estimuladas pelos pais. Assim, o uso da chupeta deverá ser interrompido assim que a criança se mostrar desinteressada, o mais cedo possível. O “prazo” ideal para organizar a vida da criança sem a chupeta é até os dois anos, quando a fala fica mais desenvolvida.

 

Quais as consequências do uso inadequado da chupeta?

O uso incorreto da chupeta, associado ao padrão genético da criança deixa os músculos das bochechas, lábios e língua flácidos, sem força. Isso trará prejuízos na mastigação e deglutição. O desenvolvimento da fala também será afetado já que a criança não terá força na musculatura para executar alguns sons. Outra consequência é a alteração da arcada dentária como por exemplo a mordida aberta (dentes de cima não encostam nos de baixo). Além disso, pode acarretar alteração no padrão de deglutição (por interposição lingual), alteração dos padrões respiratórios, etc.

Por esses motivos, é recomendado limitar o tempo de chupeta da criança ao mínimo possível (somente quando ela for dormir, por exemplo) e ajudá-la a parar de vez com o hábito o quanto antes.

Uma dica para desestimular a criança ao uso da chupeta é furar a ponta da chupeta para que mude a sensação ao sugar. Não colocar várias chupetas à disposição da criança, pois facilita sua recolocação e pode estimular o uso.

 

Orientações e Dicas

  • Utilizar chupetas com bico anatômico e tamanho e formato proporcional a face do bebê.
  • Espere o bebê precisar da chupeta, em vez de colocá-la na boca dele automaticamente.
  • Quando normalmente ele tirar a chupeta, não recoloque.
  • Vá diminuindo aos poucos os períodos em que permite o uso da chupeta, restringindo o uso a momentos críticos do dia, dia como a hora de dormir. Seja firme!
  • Nunca mergulhe a chupeta em alimentos doces como açúcar, mel ou outros. Esse costume pode provocar cáries.
  • Reforce a ideia de que crianças mais velhas não usam chupeta. Elas adoram se sentir mais crescidas!
  • Identifique os sinais de que seu filho está pronto para largar a chupeta e aproveite o momento. Durante um resfriado, é comum que a criança rejeite a chupeta, pois precisa respirar pela boca por causa do nariz entupido. Se isso acontecer, tire as chupetas de vista e espere. Quando ele pedir a chupeta, não dê imediatamente. Pode ser que largue o hábito naturalmente!
  • Incentive a criança a dar todas as chupetas para alguém. Nem que seja o Papai Noel ou o coelhinho da Páscoa. Se não houver nenhuma data apropriada próxima, você pode inventar a “fada da chupeta”, que deixa um presentinho em troca! E depois que ela der, não volte atrás!
  • Para retirar a chupeta, espere um momento calmo na vida da criança, onde não haja grandes mudanças. Não adianta querer tirar a chupeta e a fralda ao mesmo tempo, nem mudar de casa ou de quarto ao mesmo tempo que quer tirar a chupeta. Faça uma coisa de cada vez.
  • Seja sincero sobre os motivos de querer tirar a chupeta. Diga que faz mal aos dentes e à fala.
  • Passe tranquilidade para seu filho. Você tem que estar segura de que é o melhor para seu pequeno e que vai aguentar o choro e as madrugadas insones.
  • Durante o período crítico, não fique falando sobre a chupeta. Esqueça o assunto.
  • Não ceda. Mesmo com choro, pedidos e lamentações.
  • Incentive e fique feliz com o progresso do dia-a-dia.
  • Deixe a chupeta estragar. A criança vai perdendo o interesse porque o “gosto bom” acaba.
  • Ao iniciar todo este processo com seu filho, faça-o acreditando que será algo natural. Quando iniciamos algo já esperando por problemas, aí é que eles se tornam reais.

 

Roberta Massariolli Mirandez
Fonoaudiologa
Mestre em Ciências pela FMUSP
CRFa 2: 15.241